Arquivo mensal: julho 2013

UMA VOZ QUE HIPNOTIZA

Por: Lucas Santos
“Ela é demais!”. Estas foram às palavras usadas pelo repórter da Nova Nordeste (TV paga) para descrever sua surpresa e admiração para com o talento da jovem cantora são-joanense. Talvez tenha sido por acaso, ou para aqueles que creem em providência do destino, tudo já estava predestinado. No último sábado 27/07, São João marcou presença no Festival de Inverno de Garanhuns em sua tradicional mostra cultural exibida no “Arte no Casarão”. O espetáculo “Dançapoê” levou aos espectadores um misto de música, dança e poesia realizado por artistas e grupos já consagrados em nossa cidade, como a Quadrilha Pé na Roça, com o tema “O casamento da Fogueira com o Balão”, e o músico Gido Silva e grupo Raízes. Mas entre as apresentações de caboclinho, maracatu, danças de terreiro e declamações poéticas, uma figura até então parcialmente anônima em nosso município se destacou entre as demais. Com sua voz arrepiante e interpretação profunda, Débora Silva hipnotizou a todos que lá se encontravam, arrastando uma multidão para junto do estande no qual se apresentava. Dentre essas pessoas estava um repórter da renomada TV a cabo Nova Nordeste, especialista em crítica cultural, que não hesitou em cobrir a apresentação. “Ela é surpreendente!”, disse ele, “Eu estava apenas de passagem, mas quando ouvi essa voz não resisti e tive de vir aqui ver com meus próprios olhos.” A surpresa apenas completou-se no momento em que ele soube de onde era aquela estrela. “Vemos tanta gente que não tem voz e que faz sucesso em cima de coisa ruim, que não nos acresce nada, e de repente vem um vozeirão desses de São João! Nós temos de expandir, mais pessoas precisam ouvi-la”. Esses foram apenas alguns dentre os tantos elogios recebidos pela jovem cantora de dezoito anos que surgiu há pouco mais de um ano numa simples apresentação escolar na EREM João Fernandes e logo instigou a todos. “São João tem muitos talentos, um deles que merece minha total admiração pela sua VOZ exuberante, é DEBORA MARIA. Garota que promete muito na carreira profissional como cantora. Torço muito para que esse dia se concretize e torne esse sonho possível, pois seu talento é incrível.” Diz a professora Jaciara Souza. “[…] a voz de Débora é uma emoção à parte” comenta a docente Sandra Matos, “ela tem um dom que ainda não se deu conta, é algo inexplicável; sua doce voz nos envolve, emociona, toca a alma (sempre me emociono ao ouvi-la). Enfim, quando Débora canta, encanta.” Como podemos notar, não faltam elogios para essa garota, e vindos de quem realmente entende. Contudo, já dizia o velho ditado que santo de casa não faz milagres… Estamos habituados a apreciar somente artistas que vêm de fora e que trazem em seu currículo uma série de contemplações midiáticas, como se isso os tornasse melhor que os demais. Está na hora de exaltarmos o que é nosso, sacudi-los mundo a fora, para que todos vejam. Falando nisso, descobri a pouco que há um jogador de futebol que atualmente joga como lateral direito pelo time francês Bordeaux. Se não acredita, faça como eu e confira nesse link (http://www.ogol.com.br/jogador.php?id=35477).
Talvez muitos digam “Débora, estamos torcendo por você”, mas senão proporcionamos os meios para que ela emerja de seu anonimato e difunda seu talento, não estamos fazendo muita coisa. Como é que queremos que um dia ela possa ascender em sua carreira profissional e tenha orgulho de dizer que nasceu em São João – PE, se São João não lhe conferiu o espaço devido. Débora, não sou ninguém, sou apenas mais um cidadão comum desta modesta cidade que aos poucos está aprendendo a engatinhar, mas vou deixar registrado aqui minha inteira vontade de vê-la no palco nos próximos eventos de nossa cidade. E que sua voz seja ouvida além do nosso município, pois tenho mais que certeza de que um dia a verei junto aos grandes nomes de nossa música.

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A CIDADE ONTEM

Por: Augusto Reges
“O “rompimento” com o passado, o antigo, o velho, torna-se talvez, uma das características mais evidentes da modernidade. A ideia de contraposição entre novo/velho, presente/passado, moderno/antigo difunde-se e tem como resultado a desvalorização de tudo aquilo que remete a tradição.” (G. Monteiro).
O modernismo modifica, esse modificar causa estragos, acaba com cenários, oculta e acaba com lembranças, mudar é sempre bom, mas existem marcas que se deve preservar, nesse contexto lembro-me do passado, e relembro que em nossa cidade existiu um antigo Casarão, pois é quem não lembra? Exceto os que nasceram após o seu desmoronamento/derrubamento, e por que não ouve o seu tombamento? Hoje naquele local existe um auto posto é, beneficiou a cidade, mas, e as lembranças e histórias que tinha naquele prédio histórico? O proprietário do antigo Casarão ganhou em capital, porem a cidade perdeu e muito em Cultura/História, era um dos pouquíssimos prédios que nasceram com a Vila São João, ou não teria iniciado com o nome de vila? Enfim, que maravilha se tivesse preservado aquele espaço histórico, hoje talvez existisse um museu contando a trajetória de épocas passadas.
Ao passear pelas ruas, se vê poucos prédios antigos e preservados, um dos evidentes é a antiga estação ferroviária, hoje funcionando a biblioteca municipal, aquele prédio tem um passado respeitável, talvez um dia possamos presenciar sim de fato, naquele espaço um Museu/Biblioteca, contando os passos dados até hoje, desse modo fazendo imortalizar as lembranças, das grandes personalidades, os fundadores, por exemplo; quem foi o Coronel João Fernandes da Silva? Relembrando que um dia o Grande Casarão existiu, que no centro da cidade já teve um Obrigo, ao qual passou muitos passageiros, chegando e saindo da cidade, e o Pé de Mulungu, não cheguei a presenciar, mas segundo os mais experientes existiu, onde antigamente era a Rodoviária/Obrigo. Quem sabe esse cenário mude, tivemos a primeira festa Multicultural em nossa cidade, teremos outras com certeza, e a comunidade através desses movimentos passe a divulgar, conhecer e valorizar a Cultura e História de Nossa Cidade.

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Direita e Esquerda: a “nova” configuração política Brasileira.

Por: Gracys Monteiro
Estamos vivendo a ”era das crises”. Crise econômica, que abala de forma contundente a estrutura das grandes potências mundiais. Crise ambiental, que traz à tona a necessidade urgente e imediata de se discutir a questão da sustentabilidade e da produção. Crise territorial, que amplia a questão agrária para uma possível “crise dos alimentos”. Crise política, que deixa o cenário democrático brasileiro confuso e difuso.
Direita e Esquerda se entrecruzam e formam um todo emaranhado, difícil de ser compreendido. As ideologias que antes fomentavam e dividia os partidos políticos perderam-se e deu lugar a interesses diversos, menos o interesse de classe, o qual, aliás, era sua principal base. Será que ainda existem ideologias no atual contexto político brasileiro? O que diferencia hoje direita e esquerda? Que reais interesses estão sendo levados em consideração nas decisões da atual política brasileira? A aliança entre Direita e Esquerda leva a combinações, no mínimo, inusitadas. Partidos políticos oriundos das classes trabalhadoras e articulados dentro dos sindicatos, aliam-se a partidos progressistas e reacionários que “em nome da moral, da família e dos bons costumes” vetam, travam mudanças e discussões que não podem mais esperar.
Nesse contexto caótico, partidos que antes se caracterizavam como de Esquerda e que se propunham a levar em consideração discussões que sempre, ou quase sempre, foram marginalizadas, como por exemplo, a descriminalização ou regulamentação das drogas, que em tese resolveria problemas de violência e criminalidade. A legalização e legitimação do aborto que é uma prática existente entre mulheres de diferentes classes sociais, mas que somente aquelas que não conseguem pagar clínicas particulares são as maiores vítimas. O direito e o reconhecimento de se falar em sexualidade no ambiente que inclusive é próprio para isso, à escola, são questões negligenciadas e “empurradas para embaixo do tapete”. Aqueles que deveriam e poderiam promover mudanças sociais importantes, que pedem certa urgência por se tratar de mudanças de vida, negam-se com veemência a fazê-las por questões particulares. A questão religiosa e subjetiva teima em interferir nas decisões de um Estado que na sua constituição é laico. O discurso religioso que interfere em decisões importantes trava e desarticula decisões que não poderiam mais ser adiadas.
Quem representa quem nesse “novo cenário”? O relatório do código florestal brasileiro, produzido por deputados de partidos ditos de esquerda, votado há pouco tempo no congresso nacional deixou bem claro que tipo de interesse estava sendo protegido. A necessidade de se pensar novas práticas e novas tecnologias agrárias eficientes que garantam uma maior produtividade, sem a necessidade de desmatamento e agressão ambiental em nenhum momento foi mencionada. O que se levou em consideração foi o lucro imediato e o que se manteve a qualquer custo foi à lógica capital. A questão da reforma agrária que precisa ser iniciada, corrigindo assim, um acontecimento histórico que proporcionou a uma minoria a posse e acumulação da terra não é tratada como deveria e organizações importantes como os movimentos sociais são criminalizados. A falta de financiamento e de investimento na agricultura familiar se quer são mencionados, a monocultura e a grande propriedade continuam a ser à base da economia agrária brasileira.
Vivemos hoje em uma “sociedade gelatinosa” (GRAMSCI) em que as instituições civis estão cada vez mais enfraquecidas e desacreditadas. Sindicatos, ONGs, partidos políticos, movimentos sociais e outras não conseguem fortalecerem-se para finalmente assumir o papel para o qual foram pensadas e criadas: desenvolver ideologias que cheguem ao aparelho estatal fazendo com que este se faça presente em todas as instâncias sociais. Contudo, a ideologia dominante continua a ser a das elites rurais, econômicas e políticas. O resultado direto dessa apatia civil é um Estado também apático, em que interesses “particularistas” e “populistas” sobrepõe-se a interesses coletivos. Talvez esse “desenho” estatal explique essa dança de partidos, ora de direita, ora de esquerda, já que o interesse maior é o interesse de cada um, é o interesse particular que aparentemente promove mudanças, mas que no íntimo faz questão de manter uma estrutura desigual, excludente e elitista.
Em meio a tanta confusão surgem algumas questões que precisam ser respondidas. Será que ainda existe os idealistas, aqueles que buscam uma mudança por inteiro, uma mudança em todas as direções de cima para baixo e de baixo para cima? Quem são e onde estão os que sempre se preocuparam com questões “menores” como, educação pública, gratuita e de qualidade? (FERNANDES) Quem de fato se importa com a falta de atendimento e a negligência em hospitais públicos que se assemelham mais a “matadouros públicos”? Quem irá desenvolver políticas públicas que garantam oportunidades e promovam mudanças sociais e econômicas “arrancando” da miséria uma parcela mais que significativa da população?
Novos lideres precisam surgir, novas idéias precisam ser aceitas, grandes políticos precisam reaparecer. As pessoas precisam aprender a pensar, precisam entender seus direitos e deveres, precisam ter vontade de promover mudanças e desarranjos para que a sociedade possa se reestruturar e todos, ou quase todos, possam finalmente ter suas necessidades atendidas.

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As cidades ontem e hoje: modernismo e desenvolvimentismo.

As cidades ontem e hoje: modernismo e desenvolvimentismo.
O crescimento e o surgimento das cidades estão vinculados de forma inconfundível a “inauguração” de um novo momento econômico, social, político e histórico designado como Modernidade. O “rompimento” com o passado, o antigo, o velho, torna-se talvez, uma das características mais evidentes da modernidade. A ideia de contraposição entre novo/velho, presente/passado, moderno/antigo difunde-se e tem como resultado a desvalorização de tudo aquilo que remete a tradição.
A partir desse momento, se estabelece novos modelos de comportamento humano. A valorização da técnica e da tecnologia e o seu processo constante de superação/modificação tornaram-se fundamental para alicerçar um conjunto de ideias que valorizam cada vez mais a produção, o consumo e o lucro, em detrimento do humano. O efêmero e consequentemente o descartável tornaram-se as “engrenagens” necessárias para garantir uma economia baseada na acumulação capital e na propriedade privada. O homem moderno vive preso a um ciclo vicioso; produzir, consumir, produzir… O “desenvolvimentismo” torna-se prioridade e nada mais interessa; crescer é preciso. Hoje a modernidade apresenta sua “face adoentada”, o excesso de produção responsável pelo lucro/capital e garantidor de diferenças sociais significativas, atinge de forma exata aspectos ambientais, geográficos, arquitetônicos e urbanos.
A cidade moderna carrega em suas entranhas problemas diversos, consequência de uma sobre taxa populacional gerada pelo êxodo rural. Surgem dessa forma, os bolsões de pobreza, que marginaliza, segrega e diferencia as pessoas. Identifica-se um aumento de práticas de criminalidade e violência, gerados principalmente pela falta de investimento em educação/formação, ou melhor, pela falta de oportunidades para aqueles que não podem pagar para se educar. O excesso de produção que garante o “crescimento” e principalmente o lucro, também é responsável por danos ambientais quase irreversíveis, como o efeito estufa e o buraco na camada de ozônio, que contribuíram de forma considerável para o aquecimento global. O mundo torna-se refém de uma produção desenfreada e de um desenvolvimentismo quase absoluto.
Apesar de tantos problemas, a ideia desenvolvimentista continua a permear o discurso daqueles que ainda defendem a tese do crescimento a todo e qualquer custo. Mas, esse desenvolvimento/crescimento não se restringe somente aos grandes centros urbanos, elas chegam também as “pequenas cidades”, as cidades menos povoadas. A falta de planejamento urbano e de políticas públicas que garantam uma cidade bem projetada e organizada também aparece nesse cenário menor. Crescer, crescer, crescer sempre mais e de qualquer forma continua ser a meta. Algumas cidades do interior parecem ter se “empapuçadas” de crescimento. O passado “obsoleto” que não serve mais para nada precisa ser substituído imediatamente pelo moderno, pelo novo. Dessa forma, o pitoresco que garantia a originalidade e reforçava os laços com o passado perdeu o “ar de sua graça” dando passagem ao modernismo, afinal de contas, crescer é preciso. Praças e coretos, prédios de arquitetura clássica, ruas e calçamentos, tudo ou quase tudo que se ligava ao antigo foi simplesmente destruído. Mas, junto com as “tralhas antigas” vai-se também uma parte da cultura, da memória e da história de um povo.
A falta de projetos de tombamento histórico arquitetônico levou ao desaparecimento, quase completo, de um período importante da história social. As construções antigas nos revelam formas de organizações humanas, contam em suas fachadas as histórias das famílias que fundaram vilas e cidades, informam através de suas paredes o dia a dia daqueles que “deram vida” a lugares antes despovoado. As praças desvendam formas de lazer e sua nomenclatura geralmente serve de referência para conhecermos “personagens importantes” da história local. Ruas antes calçamentadas que garantiam o escoamento das águas e mantinham a temperatura ambiental estável e por que não acrescentar a graciosidade típica interiorana, agora asfaltada dão a falsa ideia de crescimento e desenvolvimento. Será que para crescer realmente é necessário destruir, quebrar e esquecer? Ou ainda, será que desenvolvimento e crescimento só podem ser alcançados através de mudanças nas estruturas físicas das cidades?
A ideia de desenvolvimento parece não se aliar a educação, que por acaso, é a maior fonte de crescimento. O investimento em educação de qualidade promove mudanças significativas em todos os aspectos da vida humana e provoca as mais profundas transformações sociais. Manter a população saudável e garantir o acesso a técnicas médico/hospitalares também é importante e é indicador de crescimento econômico, pois o bem estar faz parte do desenvolvimento de qualidade. Programar políticas salariais que busquem uma valorização de todos os profissionais e acabar com a diferença entre profissões elitizadas e profissões marginalizadas é essencial para promover crescimento e diminuir o fosso entre ricos e pobres. Todos podem ter uma maneira digna de viver, todos têm a mesma oportunidade, todos são valorizados.
É preciso que se deixe bem claro que o desenvolvimento é importante para promover crescimento, o problema são os excessos cometidos em seu nome. O que se questiona aqui é o preço que uma maioria miserável, explorada e ignorante paga para uma minoria que precisa cada vez mais aumentar seus dividendos. Será mesmo, que em nome do crescimento e da produção tantos venham a padecer? Ou ainda, será mesmo que o antigo “não serve para nada” e, por isso, precisamos nos modernizar? Nada precisa ser destruído, pode-se sim crescer, se modernizar sem “perder contato com o passado”. Passado e Presente não se anulam, eles se misturam e se complementam. Moderno e tradicional caminham de mãos dadas. As cidades de ontem podem ser as mesmas de hoje.

Por: Gracys Monteiro

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São João das margens plácidas

por: Lucas Santos
Esta semana lembrei-me de um fato inusitado e, ao mesmo tempo, questionável. Foi simples e momentâneo e que pouco me valeu no momento, mas instantes depois me fez pensar e buscar entendê-lo.
Visitei nossa Escola Municipal João de Assis Moreno juntamente com um amigo e ex-colega de classe do período em que lá estudei. Conversamos brevemente sobre o tempo em que fomos alunos daquela instituição e recordamos algumas situações vexantes e de malandragens típicas dos estudantes, mas que hoje pouco nos agrada. E nas passadas entre os corredores da escola, deparamo-nos com a placa de mármore dedicada à nossa turma na época da conclusão e pudemos enxergar nossos nomes inolvidáveis gravados sob a tela de vidro, e rápido nos lembrou de que ainda há pouco a parede ao lado da placa ostentava um grande banner, o qual continha de forma grandiosa o hino da escola e seus versos memoráveis. Logo depois de arrancar alguns versos mal cantados de nossa memória falha, meu amigo então me olhou e, como que ansioso, perguntou: “E como é que se canta o hino de São João?”
Silêncio…
Queria poder ter dito que não lembrava ou até mesmo que não sabia – isso de forma alguma me envergonharia –, mas ao invés disso o encarei e falei “São João não tem hino”. Ele apenas fez uma efêmera cara de surpresa antes de retomarmos o propósito da visita. No entanto, mais tarde essas curtas palavras voltaram ecoar em minha mente, fazendo surgir uma pesada interrogação em minha cabeça.
Tentei lembrar-se de quantos anos nossa cidade tem e me assustei quando descobri que não sabia. Pouco mais de cinquenta, apenas disso me recordei. Pouco mais de cinquenta anos de história e durante todo esse tempo ninguém se preocupou em criar um hino para nossa cidade, para homenageá-la e diferenciá-la das demais. O que cantamos no dia em que comemoramos a sua emancipação? Levantamos a bandeira do Brasil sob o hino brasileiro, a de Pernambuco sob o pernambucano e a de São João… Bem, será que repetimos o Hino Nacional? Infelizmente também não sei, pois nunca cheguei a participar de um evento como esse. O fato é que nossos fundadores deram apenas o pontapé inicial e esperavam que seus sucessores abraçassem seus ideais e prosseguissem com os devidos feitos. Infelizmente, percebe-se que a preservação da memória histórico-cultural de nossa cidade caiu no esquecimento ao longo das décadas e hoje esse assunto nem sequer surge em pautas políticas.
Para muitos isso se trata de uma besteira, e é esse tipo de comentário que me faz perceber o grau de insignificância que muitos de nossos conterrâneos dão à nossa cidade. Quantos de nós sabemos ao menos uma parcela significativa sobre a história do nosso município? Quantos professores se preocupam em transmitir aos seus alunos o básico sobre a cidade de São João? Quantos de nós sabemos, de fato, quantos anos São João tem?! E quem aí (desde que não tenha sido funcionário público) já participou de algum momento solene em comemoração ao aniversário da cidade?
Os números sem dúvida serão escassos e, certamente, a preguiça de ler levará muitos a abandonar este artigo logo após as perguntas acima, ou quem sabe já tenha feito isso logo nas primeiras linhas, o que reduzirá significativamente o número de pessoas atingidas.
Devemos nos perguntar por que somos assim. Por que não valorizamos o que é nosso? Por que pouco nos preocupamos em preservar nossa história e cultura? Por que sempre que estamos em um lugar diferente e que nos perguntam onde moramos respondemos “Garanhuns” ou “São João de Garanhuns”? Onde fica nossa cidade nessa história toda? Não é porque ela não existe no mapa que devemos apagá-la da memória ou jogá-la no esquecimento.
Que bom seria que um dia pudéssemos ser lembrados por uma característica só nossa, que nos distinguisse dos demais municípios de forma memorável, além da agricultura. Mas para isso, para que as pessoas possam olhar para São João e associá-lo a algo bom, primeiramente nós, como residentes e frutos da nova geração social que traz consigo um amadurecimento de ideais e uma visão renovadora, devemos olhar para nossa cidade e enxergar seus pontos positivos e disseminá-los. E, já que nos encontramos tão defasados e negligenciados, temos de tentar construir esse legado pelos alicerces, buscando recuperar o perdido e preencher as lacunas esquecidas. Quem sabe nesses anos não estaremos nos reunindo no dia 25 de novembro em local propício, bradando nosso futuro Hino Municipal. Enquanto não, qualquer um de nós pode parar frente ao açude municipal, admirar seu imenso espelho verde que reflete o céu e arriscar alguns versos do tipo “Salve, ó São João das margens plácidas!”.

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