Direita e Esquerda: a “nova” configuração política Brasileira.

Por: Gracys Monteiro
Estamos vivendo a ”era das crises”. Crise econômica, que abala de forma contundente a estrutura das grandes potências mundiais. Crise ambiental, que traz à tona a necessidade urgente e imediata de se discutir a questão da sustentabilidade e da produção. Crise territorial, que amplia a questão agrária para uma possível “crise dos alimentos”. Crise política, que deixa o cenário democrático brasileiro confuso e difuso.
Direita e Esquerda se entrecruzam e formam um todo emaranhado, difícil de ser compreendido. As ideologias que antes fomentavam e dividia os partidos políticos perderam-se e deu lugar a interesses diversos, menos o interesse de classe, o qual, aliás, era sua principal base. Será que ainda existem ideologias no atual contexto político brasileiro? O que diferencia hoje direita e esquerda? Que reais interesses estão sendo levados em consideração nas decisões da atual política brasileira? A aliança entre Direita e Esquerda leva a combinações, no mínimo, inusitadas. Partidos políticos oriundos das classes trabalhadoras e articulados dentro dos sindicatos, aliam-se a partidos progressistas e reacionários que “em nome da moral, da família e dos bons costumes” vetam, travam mudanças e discussões que não podem mais esperar.
Nesse contexto caótico, partidos que antes se caracterizavam como de Esquerda e que se propunham a levar em consideração discussões que sempre, ou quase sempre, foram marginalizadas, como por exemplo, a descriminalização ou regulamentação das drogas, que em tese resolveria problemas de violência e criminalidade. A legalização e legitimação do aborto que é uma prática existente entre mulheres de diferentes classes sociais, mas que somente aquelas que não conseguem pagar clínicas particulares são as maiores vítimas. O direito e o reconhecimento de se falar em sexualidade no ambiente que inclusive é próprio para isso, à escola, são questões negligenciadas e “empurradas para embaixo do tapete”. Aqueles que deveriam e poderiam promover mudanças sociais importantes, que pedem certa urgência por se tratar de mudanças de vida, negam-se com veemência a fazê-las por questões particulares. A questão religiosa e subjetiva teima em interferir nas decisões de um Estado que na sua constituição é laico. O discurso religioso que interfere em decisões importantes trava e desarticula decisões que não poderiam mais ser adiadas.
Quem representa quem nesse “novo cenário”? O relatório do código florestal brasileiro, produzido por deputados de partidos ditos de esquerda, votado há pouco tempo no congresso nacional deixou bem claro que tipo de interesse estava sendo protegido. A necessidade de se pensar novas práticas e novas tecnologias agrárias eficientes que garantam uma maior produtividade, sem a necessidade de desmatamento e agressão ambiental em nenhum momento foi mencionada. O que se levou em consideração foi o lucro imediato e o que se manteve a qualquer custo foi à lógica capital. A questão da reforma agrária que precisa ser iniciada, corrigindo assim, um acontecimento histórico que proporcionou a uma minoria a posse e acumulação da terra não é tratada como deveria e organizações importantes como os movimentos sociais são criminalizados. A falta de financiamento e de investimento na agricultura familiar se quer são mencionados, a monocultura e a grande propriedade continuam a ser à base da economia agrária brasileira.
Vivemos hoje em uma “sociedade gelatinosa” (GRAMSCI) em que as instituições civis estão cada vez mais enfraquecidas e desacreditadas. Sindicatos, ONGs, partidos políticos, movimentos sociais e outras não conseguem fortalecerem-se para finalmente assumir o papel para o qual foram pensadas e criadas: desenvolver ideologias que cheguem ao aparelho estatal fazendo com que este se faça presente em todas as instâncias sociais. Contudo, a ideologia dominante continua a ser a das elites rurais, econômicas e políticas. O resultado direto dessa apatia civil é um Estado também apático, em que interesses “particularistas” e “populistas” sobrepõe-se a interesses coletivos. Talvez esse “desenho” estatal explique essa dança de partidos, ora de direita, ora de esquerda, já que o interesse maior é o interesse de cada um, é o interesse particular que aparentemente promove mudanças, mas que no íntimo faz questão de manter uma estrutura desigual, excludente e elitista.
Em meio a tanta confusão surgem algumas questões que precisam ser respondidas. Será que ainda existe os idealistas, aqueles que buscam uma mudança por inteiro, uma mudança em todas as direções de cima para baixo e de baixo para cima? Quem são e onde estão os que sempre se preocuparam com questões “menores” como, educação pública, gratuita e de qualidade? (FERNANDES) Quem de fato se importa com a falta de atendimento e a negligência em hospitais públicos que se assemelham mais a “matadouros públicos”? Quem irá desenvolver políticas públicas que garantam oportunidades e promovam mudanças sociais e econômicas “arrancando” da miséria uma parcela mais que significativa da população?
Novos lideres precisam surgir, novas idéias precisam ser aceitas, grandes políticos precisam reaparecer. As pessoas precisam aprender a pensar, precisam entender seus direitos e deveres, precisam ter vontade de promover mudanças e desarranjos para que a sociedade possa se reestruturar e todos, ou quase todos, possam finalmente ter suas necessidades atendidas.

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Publicado em julho 11, 2013, em Pernambuco, São João, Uncategorized e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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