MODERNIDADE, CONSUMO E FELICIDADE, por Gracys Moura

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A sociedade industrial através do desenvolvimento tecnológico e científico, conseguiu, finalmente, realizar o sonho humano de dominar a natureza. Os recursos naturais, a partir desse momento, passam a ser utilizados de forma ilimitada e o mundo natural é então usado como matéria prima de uma produção industrial que se amplia e se supera dia após dia.
A ideia de progresso ganha cada vez mais força à medida que o processo industrial se aprimora e a possibilidade de consumir se torna real. O homem moderno, liberto dos entraves da idade média, sente-se cada vez mais livre para realizar seus desejos e associa seu ideal de felicidade e realização pessoal à acumulação capital e ao consumo desenfreado. No entanto, não é isso que se constata quando olhamos o mundo a nossa volta. Os recursos naturais, antes inesgotáveis, já dão sinal de esgotamento e apontam para um colapso ambiental se novas medidas econômicas e políticas não forem adotadas. Bem estar e consumo não são coisas em comum e um não garante o outro. A liberdade tão festejada tornou-se escrava dos meios burocráticos e do controle desenvolvidos pela sociedade industrial e reduziu-se só a liberdade de consumo. O progresso humano, associado ao progresso tecnológico e científico, deixou um rastro de miséria e destruição por onde passou. O que terá acontecido então com a “razão iluminista” e sua promessa de liberdade? Como depois de tantas descobertas e tantos progressos o homem continua a cometer tantas atrocidades com a natureza e com os seus semelhantes? Onde exatamente falhou a promessa de progresso e liberdade tão alardeada pela sociedade industrial?
Um modo de ser e de pensar moldou a subjetividade do Homo Faber e constituiu-se toda uma ética voltada para o consumo e o prazer. Esse “ethos” voltado para um ideal de felicidade, atrelado à busca imediata de todas as formas de prazer, concebido a partir da acumulação material e um crescente individualismo garantidor de paz e harmonia, teria implodido a ideia de progresso juntamente com todas as suas promessas. O trabalho rotinizado e disciplinado do capitalismo contrasta fortemente com a ideia de prazer e satisfação hedonista, e o equilíbrio entre um e outro acontece nos momentos de lazer, na hora do sexo, em frente à televisão.
A aliança entre trabalho, consumo e felicidade parece ter falhado, pois notadamente, somos uma sociedade de pessoas infelizes, ansiosas, depressivas e solitárias. O individualismo como forma de paz e harmonia perverte-se e dá origem a um tipo de comportamento e de caráter em que a cobiça, a inveja, a exploração, são legitimadas, bem como o prazer em não compartilhar, já que sou, à medida que tenho. Dessa forma, ter se sobrepõe a ser e quanto mais tenho, mais sou.
Durante suas diferentes fases o capitalismo, juntamente, com o comportamento econômico, distanciou-se dos valores éticos e humanos, encontrados ainda no início de sua formação, e tornou-se um sistema com vida e com vontade própria, e todas as suas ações e devastações foram entendidas como consequência de uma lei natural. A partir da evolução desse sistema, a principal preocupação não era mais o que é bom para o homem, mas o que é bom para a ordem e manutenção do sistema. A profundidade dos conflitos era maquiada à medida que se desenvolvia a perspectiva de que a melhoria do sistema resultaria em melhoras para o povo, assim como as qualidades que o sistema exigia do homem como egoísmo, cobiça e individualismo eram qualidades humanas e não somente qualidades produzidas pelo sistema.
A sociedade industrial ver os destroços do seu sonho de progresso e desenvolvimento atrelados ao individualismo exagerado, a um egoísmo que legitima a desumanização do homem em relação a si, e principalmente, em relação ao seu semelhante. Ao rompimento entre o homem e a natureza, e consequentemente, a toda forma de exploração dos recursos naturais de maneira desordenada e ilimitada levando o meio ambiente a quase um colapso e pondo em risco a própria sobrevivência em nome do lucro e do consumo. E finalmente, a busca do reconhecimento através da acumulação material, um modo de pensar e de se comportar que condensou o ter e o ser, um ethos em que ter é ser, por isso, quanto mais lucro, quanto mais consumo, mais tenho e mais sou.
Para evitar a catástrofe humana e ambiental que inevitavelmente se aproxima, se faz necessário uma mudança em todos os sentidos. Uma mudança na forma de pensar e de viver, um novo modo de ser e de se comportar. Uma mudança no humano e na forma com ele olha para si e para o mundo ao seu redor.

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Publicado em dezembro 26, 2013, em Uncategorized e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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